Seus dedos enrijecidos pairavam sobre o teclado. Não sabia o que escrever, sobre o que escrever. Suas dúvidas o cercavam, já não se tinha certeza de mais nada. O sol não o esquentava, o silêncio o inquietava, queria não querer. Tantos dilemas, tantas perguntas, nenhuma resposta, nenhuma luz para guiá-lo. Seus papeis permaneciam jogados pela mesa, assim todo o resto se mostrava numa organização caótica. Não tinha namorada, não precisava de uma, embora muitas o desejassem. Sua cabeça latejava, a luz irritava seus olhos. Queria gritar, mas silenciar-se no volume de suas palavras. O que ele iria levar no final da sua estrada, quando tudo se acabasse? Do que iria se lembrar? O que valeria a pena no final? Realmente se lembraria de algo? Não tinha com quem conversar, se afastou de seus melhores amigos. A única pessoa que o ouviria não estava em condições, tinha seus próprios problemas para resolver. Às vezes, ele mesmo se pergunta como pode chegar a tal ponto. Por que não o impediram antes? Para essa pergunta ele tem a resposta: não podia ser impedido, se tivesse algo a aprender teria de ser feito por si mesmo. Não saberia se levantar se outrora não tivesse caído. Há algumas coisas que se devem ser vividas, e é impossível impedi-las. E lá estava ele, sozinho. No entanto, havia alguém que nunca o abandonara. Ironia era estar sozinho estando acompanhado. Lembrava-se dela nitidamente. Sentia seu cheiro, sentia seu toque quente sobre suas mãos enregeladas. Via o seu olhar meigo, seu sorriso mordaz. Tinha-a em sua frente. Passou os dedos por entre as madeixas, sentindo a maciez de seus cachos em meio ao cabelo liso. Olhou-a nos olhos, afogando-se nas profundezas de um olhar magnético puramente verde. Havia algo de diferente, podia ver e sentir. Seu olhar era frio, seu toque, que outrora o esquentava, agora gelava seus dedos suavemente. Seu cheiro era diferente. O perfume de chocolate e frutas vermelhas não se sentia mais do pescoço dela. Por entre seus dedos havia um toco de cigarro. Dissera a ela que a essência se perdia misturada ao do tabaco. Ela lhe fora indiferente. Dissera-lhe palavras que preferiu esquecer, agiu como se tivesse sido abduzida, afinal aquela criatura não era quem ele conhecia como tantos contos que escrevera. Magoado, afastou-se. Esqueceu-se de tudo e todos à sua volta. O mundo girava, agora, só para si mesmo e para mais ninguém. Criou uma barreira impenetrável. Esqueceu-se até de quem era. Seus contos já não faziam mais sentido. Quem era ele? Ele poderia ser qualquer um. Ora um herói, ora o vilão. Quem ele realmente era? Era um tolo, não, fora um tolo. Agora ressurgia do chão, caído, mas tão mais forte. Seus olhos no espelho refletiam um oceano azul, calmo, mas imprevisível. Agora este era ele. Então, que ele iria levar no final da sua estrada, quando tudo se acabasse? Todas as oportunidades que um dia perdera. Do que iria se lembrar? De todas as ironias a ele dirigidas, de todas as demonstrações de carinho e desprezo. De tudo pelo que passara. O que valeria a pena no final? O arrependimento, a raiva, as alegrias e as realizações. Realmente se lembraria de algo? Nunca se esqueceria. Não se esqueceria de todas as transformações, de cada olhar, de cada toque. De tudo que um dia escrevera. Afinal, agora sabia quem ele era e não se importava se tudo se acabasse ali. Seria seu final mais perfeito, o fim de mais um de seus contos.
"Conte-me e eu vou esquecer. Mostre-me e eu vou lembrar. Envolva-me, e eu vou entender." Confúcio
Bem-vindo!
Quem sou eu
- Maria Paula
- Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil
- Let me out Don't tell me everything Start it out Like any other day Must have gave the wrong impression Don't you understand where I belong? Well I'm not the one (Carry me home - The Killers)
domingo, 10 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
A dúvida que o silêncio cala
Sua voz saía suave e seu sorriso era agradável. Não reconhecia mais os olhos inflamados de raiva que vira da última vez. Voltara a ser ela. Mesmo que por um instante, ele a reconhecia. Fora bem tratado, portanto, assim retribuía. Queria tocar o seu braço, como antes fazia, mas receava um desentendimento. Apenas a observou partir. Até mesmo sem a encarar, sentia a calma que dela emanava, sempre com o seu costumeiro ar de superioridade. Não a via assim desde seu reencontro. O que aconteceu para estarem tão distantes? E por que se sentiram tão conectados naquele instante? Aproximaram-se sem relutância. Ela sentia falta, mas não demonstrava. Ele era, por vezes, grosseiro. Não sabia disfarçar, mas não se renderia, seu orgulho era muito superior a isso. Ele desejava saber o que se passava, o que ela sentia e pensava, mas era impossível. Pensava nela a cada ironia, a cada olhar que lhe era dirigido. Já começava a atrapalhar. Talvez por esse motivo, talvez não, seu humor amanhecia já amargo. Suas palavras chegavam afiadas. E ela só piorava a situação. “Quem desdenha quer comprar…” dissera uma vez a ela. “Imagina então, quero muito te comprar!” esvaindo em gargalhadas, a fala ecoa. Ela dizia querendo dizer e ele sabia da verdadeira intenção. Ficaria feliz se assim fosse. Não diria o mesmo em atuais circunstâncias. Já não permite tanta aproximação, mantém-na longe. E ela, com muito grado, faz. Quando seus olhares se encontram, ela curva seus lábios, imperceptivelmente, num sorriso debochado em resposta a seu olhar indiferente. Era como se seus sorrisos, suas ironias, e até mesmo suas decepções, dissessem: ‘eu sei que te fiz bem, pelo menos um dia. Importei-me contigo, estive ao teu lado. E como o ditado diz: nada que é bom dura para sempre. Errei ao acabar dessa maneira. Não me preocupo de continuar nesta condição. Só não me olhe como se nunca tivesse sorrido para mim, ou por minha causa!’ Enfim, seus olhares diziam tudo que suas palavras não verbalizavam. E ainda continuavam misteriosos. Intransponíveis. Mas agora, o calor vinha do seu olhar travesso e provocante, do sorriso radiante, uma combinação que o arrepiava por inteiro. Ela, naquele instante, era a que conhecera, e não a que se tornara depois. Ela era quem o fazia sorrir. E ela o fez sorrir quando partiu.
domingo, 3 de junho de 2012
Contigo ao meu lado, sei no que acreditar
O que seria isso que nunca sentira antes? Antes, era tudo tão simplório, agia indiferentemente. Mas agora algo mudou. E era possível, claramente, perceber. “E se…” “E se nada, garoto. Não coloque ideias nesta cabecinha, se sabes que não terás retorno.” Ela era fria demais, mesmo não sendo. “Tu estás diferente”, um dia ele lhe dissera. Realmente, ela estava diferente. Algo, no seu âmago, indicara isso. O que tanto reprimia acabara por transbordar. “Imaginação. Estou mais sorridente, se é isso que me dizes.” Ele a encarava, e por vezes sorria. Um mistério para ele, a mais pura lógica para ela. Estaria ele tentando ignorar? O que estaria buscando? Uma confirmação verdadeira, incontestável. Devia ela, agora, provar-lhe. “Não sabia que gostava de mim… Não assim, pelo menos.” Ele a provocava como o gato que brinca com o novelo antes de desenrolá-lo. “Nunca disse o contrário.” “E por que não me disseste nas vezes que te perguntei?” “Não encontrava palavras para dizê-lo.” Assim se silenciavam. “Por favor, não me entenda errado.” ela suplicava. Sem dizer, ele apenas sorria-lhe. As horas passavam, e se arrastavam quando estavam juntos. “Acho incrível como as pessoas mudam quando estão com outras, não é?” ela, indiferente, comentava. “Por que dizes isso?” Desvencilhando-se do abraço que a envolvia, olha-o com os olhos de pura malícia. “Foi só um comentário, não precisa te acanhar.” Beijando a sua bochecha, ela recosta a face sobre seu ombro. Ele pode ser o gato às vezes, mas nunca deixará de ser o seu novelo. Inquieto, ele tamborilava seus dedos na perna dela. “Eu sei que mudo quando estou com outras pessoas.” ele disse. “Nem te preocupes com o meu comentário. Isso é natural. Entendo que o jeito que tu ages comigo é diferente do jeito que tu ages com o teu melhor amigo, ou melhor amiga.” Ele sentiu uma pontada quando ela dissera ‘melhor amiga’, mas não sabia explicar o que era. Mas no fim, acabou entendendo. “Estás com ciúme de alguém?” “Eu?” perguntou ela, rindo timidamente. Ele nada disse, apenas esperou por resposta. Persistindo o silêncio, ela resolveu se pronunciar. “Ok, estou com ciúme sim. Sei que há tempos ela é a tua amiga. Melhor amiga. Vocês estão sempre juntos, e agora que percebi que gosto de ti, sinto medo de perder-te.” “Não precisas te preocupar com isso, anjo. Somos só amigos, e, além disso, não faço o tipo dela.” Ele beijou-a de leve, vendo-a enrubescer. “Estou contigo e só contigo.” “Fazer o quê? Sinto saudade, sinto ciúme, já não posso mais controlar.” Dizia ela, envergonhada. “Não sabia que tu sentias ciúme, parecia tão indiferente quanto a isso…” “Não costumo sentir, e é quando eu sinto que me preocupo.” “Terei de me certificar de que não sintas…” Ele disse, beijando-a outra vez. “Minha menina ciumenta, não quero que essa ideia atormente-a novamente. Não suportarei ver esta tua boca curvar-se por essa preocupação infundada, ouviu-me?” Sem responder-lhe, ela acena a cabeça. “Então, assim serei teu, e tu serás minha!” Suas mãos se encaixaram, e a segurança de se terem tomou-lhes calmamente.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Tão diferentes para um mesmo destino
sábado, 26 de maio de 2012
Nos meus sonhos
Chegou em casa, largou suas coisas por cima da cama. Estava cansado, mas o sorriso estampado em seu rosto o fazia esquecer. Por que estivera, ultimamente, tão animado? Faminto, passara a manhã inteira de jejum. Comeu algumas frutas que encontrou pela frente, e não parava de pensar sobre. Seria perigoso levar à diante? Demais. Conseguiria controlar-se? Impossível. Precisava de uma solução. Estava, aos poucos, entregando-se ao vício. O telefone permanecia sobre a mesa. Esperava receber uma ligação, mas sabia que não receberia. Procurou algo para se ocupar. Não encontrava mais nada. Resolvera organizar os papéis que tinha jogado aos cantos. Quantas memórias aquelas folhas traziam... A saudade apertava o seu peito. Por fim, encontrara o papel que mais lhe prendeu a atenção. Era uma carta dela. Suas palavras, tão doces, o emocionava. Queria tê-la por perto. Precisava dela. Será que ela também precisava? Enquanto lia as muitas linhas que lhe foram destinadas, algumas lágrimas rolavam pela face. Seriam lágrimas de tristeza? Certamente não. Seriam de saudade, de desejo. As suas cartas, os seus bilhetes eram intrigantes. Ela, e só ela, tinha a habilidade de envolver o leitor. Resolvera ligar. Seu coração palpitava, emocionado, enquanto aguardava resposta. Finalmente, ouve-se o 'alô'. O que dizer? "Sabe, tenho identificador de chamadas, e sei bem que é... Afinal, ia ligar-te. Já estava com saudade." a voz meiga dizia-lhe. "Por que hesitou, então?" perguntou-a. "Estive ocupada, desculpe. Não pense que me esqueci. Ao contrário! Lembro-me a cada instante!" Ouvir tais palavras o confortou. Talvez ela realmente precisasse dele. "Ligou-me para ouvir a minha voz? Que romântico! Apaixono-me mais e mais!" disse, soltando uma risada melódica. "Liguei para dizer que já não penso em mais nada..." sussurrou-lhe, em resposta. "Confesso que nem eu. Passo o dia pensando em nós, em como queria estar ao teu lado. Nos nossos encontros, sussurro às estrelas, peço que te façam ficar por mais um tempo." Fez-se silêncio. Ela, então, retomou: "Eu tenho rido mais, sabia? Tenho estado menos estressada... E todos perguntam pelo motivo de minha euforia. Não os respondo, já não é da conta deles...”. Conversaram por mais um pouco, mas eles tiveram de desligar. As palavras da moça ficaram ecoando em sua mente, a euforia crescia dentro de si. Já não havia mais motivo para deixar de pensar nela. À noite, quando ia deitar-se, pensou nos belos olhos castanhos, no sorriso travesso, nas curvas harmônicas, na voz suave que o fazia delirar. Pensou nela e sussurrou "Eu te amo". Em resposta, a moça visitou os seus sonhos.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Em meio às nossas ausências, amo-te.
O sorriso iluminava os seus olhos. Ela, com o seu jeitinho mais irônico, encarava-me inocentemente maliciosa. Mas ambos estávamos ali, podíamos sentir. “Pergunte-me agora como sinto e não te responderei com palavras.” murmurou ela. “As palavras se fazem vazias quando dirigidas a ti.” em resposta eu dizia-lhe. E por algum tempo, as tardes se resumiam a isso, somente pela presença agradabilíssima daquela mulher tão gloriosa. Ríamos, conversávamos. Via que minha presença era tão deleitosa quanto a dela me era. Mas havia algo diferente, algo de extrema importância, imperceptivelmente agonizante. Perguntava-lhe o que havia, mas com uma resposta seca e ríspida, calava-me de imediato. A ironia intrínseca tornava-a a mais divina dos anjos. Cansado de preocupar-me à toa com esta mulher, passei a encontrá-la com pouca frequência. “Abandonaste-me, Miguel?” perguntou-me ela, assim que me viu aproximar. Não há palavras que expliquem, ou que ao menos tentem, o que se passara na minha cabeça. Talvez uma única expresse vagamente: indignação. “Talvez, Lorena.” “Ué, mas o que eu te fiz de tão grave? A ponto de privar-me da tua companhia? Esta é a pior das piores punições a mim já dadas!” Apesar da fala, sentia no olhar inquieto as mentiras em mim despejadas. “Diga-me o que eu te fiz! Para merecer essa tua atuação, essas palavras frias e insignificantes. Diga-me, eu pedirei perdão. E então pare, não precisarás mais fingir.” Lorena desviava o olhar, distante. De sua boca nada saía. “Digo-te que as tuas palavras foram cruéis. Mas não me é surpresa, estou acostumada há um tempo.” “Apenas responda-me, Lorena. Não sejas evasiva!” “Então deixe de ser um tolo e preste atenção ao teu redor, Miguel. Veja a harmonia da natureza. Cada elemento se complementa. E assim, formam um todo.” “Dizes, então, que não nos complementamos?” “Deixa de tolice, já te disse!” “Não entendo. Não posso assumir como motivo da tua frieza…” “Deixe-me terminar, então. Enfim, para um todo há a combinação da beleza única de cada. E antes que me interrompa, já que não posso ser poética, vou direto ao ponto: as minhas tardes faziam-se apenas da tua agradável companhia. Mas tu te tornaste um vício para mim, um vício que sustentava com prazer. E então, as tardes faziam-se do teu sorriso para o meu. Desculpe-me se lhe fui grosseira, ou fria, como disseste, mas não consegui sustentar este vício…” “Ainda não te entendo, mulher…” “No início, não me achava digna de qualquer sentimento por ti. Ao te comparar, comparo-te com um anjo, o meu anjo. Algo tão puro não deveria ser desviado do seu caminho divino.” “Esquece dessas insignificâncias…” já sentia cada célula do meu corpo clamando pelo seu calor. Perdoara aquela mulher que me provoca enlouquecidamente, que me tem preso aos seus pés, e vi suas asas ressurgirem de algum ponto além da escuridão dos seus caprichos. “Falta pouco, agora! Deixe-me terminar!” Lancei um sorriso tímido, e derreti-me quando retribuído tão calorosamente. “Enfim, imaginei que me evitaria, mas nunca deixei de vir aqui, onde sempre nos encontrávamos, na esperança de encontrar-te. Agora, admito, mesmo não digna, necessito. A tua luz é a única que me brilha, Miguel. O meu pensamento sempre está em teu. Já não posso ausentar-me e a melancolia me toma por inteira. Portanto, peço-lhe que me perdoe por tudo que te fiz que um dia te magoou, nunca foi a minha intenção! Se fores capaz de me perdoar, peço-lhe que me aceite para passar o resto dos meus dias ao teu lado!” Este último pedido me comoveu. Como podia recusar, vindo da mulher mais bela, da mulher que realmente amo? “Sejas, então, minha e só minha!”
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Muito além do desejo
O que estamos fazendo? Pelos Céus, isso está certo? Sorrio para ti, e o mesmo não se repete. O que houve para, de repente, estarmos tão pertos, e, no entanto, tão distantes? Essa, alguma vez, foi a nossa questão? Lucas estava atordoado, simplesmente não entendia. O sorriso, o olhar, todo o ser dela o seduzia, num fervor incessante. E, agora, não parava de se perguntar. O que se passa na nossa cabeça para desejarmos aquilo que tivemos e perdemos? Essa insistência é apenas desejo, ou nada menos do que paixão? Por que paixão, e não amor? Pudera amar alguém que o fez sangrar? Que o fez engolir o orgulho e realmente admitir que era com quem queria estar? E depois de tudo, some? São essas particularidades que o enlouquecem. ‘Por que me deixou esperando?’ perguntava ele a ela. ‘O que realmente queremos, e pelo que lutamos, sempre tem o seu valor. Se fosse algo fácil, tão simplório, será que tu saberias dar o devido valor?’ Lucas ficava silencioso, com a cabeça recostada no colo dela. Ela parecia olhar para algo que estava muito além do seu entendimento, enquanto acariciava e enrolava seus cachos de cabelo. ‘Por favor, não faças mais isso. Se fizeres, acho que morro!’ dizia ele. Diana paralisou por um instante. Seu olhar, sempre distante, encontrou o de Lucas. Calma e suavemente, ela dizia: ‘Não digas isso! Jamais! Por que morreria? Besteira!’ ‘Ora, por que. Por amor, óbvio. ’ ‘Tolo… Como se morre por amor? E se tu amas mais de uma vez? Se tu confundes o amor com qualquer outro sentimento? Vais morrer quantas vezes, então?’ sorria para ele. Lucas nada falava, aquela garota o colocava num transe de pensamentos. ‘Sabe, Lucas, não quero que tu sejas dependente de mim. Não faço o tipo grudenta. Gosto de ti, gosto de estar contigo. Mas eu tenho o meu espaço, assim como tu tens, e em hipótese alguma invadirei o teu, peço que não invada o meu. ’ Ele se preparava para contrapor, mas, tão somente com um olhar, Diana o impediu. ‘Não sou adepta ao sentimentalismo, mas isso não quer dizer que eu não sinta. Sinto até mais do que muitos românticos por aí… ’ ‘Mas, sinceramente, não parece. Não te vejo, nunca te vi demonstrar os teus sentimentos. ’ ‘Se eu não despejo para fora quer dizer que eu mantenho tudo aqui dentro, não é?’ Diana pressionou o peito de Lucas. ‘Imagina a confusão. ’ Lucas levantou-se para encarar Diana. ‘Não me faça a vilã, por favor.’ ‘Eu só não entendo. Por que acumula tudo? Por que estamos aqui, então?’ ‘Eu preciso do controle da minha situação, só isso.’ ‘Não podes ceder por uma vez?’ Diana, abatida, desviou o olhar, e Lucas, angustiado, levantou-se. ‘Quando te permitir ceder o controle, por ao menos uma vez, quem sabe…’ ‘As tuas palavras não fazem sentido.’ Ele, aos poucos, se afastou. ‘Mas eu te entendo, Lucas. E agora, que fique bem claro que foste tu quem partiu!’ E assim, as palavras de Diana ecoam em seus pensamentos a todo instante.
sábado, 12 de maio de 2012
Relato de um jornalista desanimado
quinta-feira, 3 de maio de 2012
O meu sorriso a ti pertencerá
‘Os meus olhos já refletem o teu olhar. Diga-me, como consegues me prender assim? Fazes alguma bruxaria? Ou é apenas o teu brilho que me conquista? Vicia-me, tão suave e tão calmamente, neste teu sorriso. Agora um pôr-do-sol raia no meu horizonte. ’ Há quem diga que esta menina não é capaz de se sentir assim, afinal ela é fria e sem sentimento. Mas esses não conhecem a menina sobre quem falam. Ela é irônica e levemente adocicada. Importa-se com quem prova que merece algum reconhecimento, aqueles que ela, sem hesitar, defenderia arduamente. Por quem ela não desistiria. E por aqueles que a acompanham há tempo, ela iria ao Inferno pelo o que precisassem. Afinal, não são todos que se acostumam com ela. Por ser tão, em algumas situações, sensível, aprendeu a se proteger daqueles que costumam se aproveitar. É fria, não há como negar. Mas agora sabe separar as coisas. “Digam o que quiserem.” “Só te importas com o teu próprio umbigo, com o teu próprio mundo, não é?” perguntaram-lhe uma vez. A menina respirou bem fundo, cansara de responder esta mesma pergunta várias vezes. “ Não é mais fácil? Menos estressante?” “Acho que eu ficaria louco se fosse. Eu posso não ser o mais pensante, mas às vezes me enlouqueço.” “Veja dessa perspectiva, então: o meu pequeno mundinho é território conhecido, mais do que conhecido, eu diria. Sei cada coisa que agrada e o que desagrada, no caso, a mim. Então por que eu iria me arriscar em território desconhecido? Quanto mais eu sei, mais eu posso.” “Não achas que isso cansa? Conhecer o conhecido dia após dia? A emoção está em se aventurar pelo desconhecido.” Ela nunca teve conversas assim com ninguém, estava surpresa quanto à ousadia do garoto em abordá-la daquela forma. “E se não gostarmos do que descobrirmos?” “Aprenderemos, então, a lidar com isso. Tornaremos isso positivo. Vamos, tu não deves ser tão assim como dizem…” “Assim como?” “Tão fria, insensível… Eu sei que este é apenas o teu escudo. Que o teu mundo é diferente.” “E qual é o problema se não for?” “Seria tão somente decepcionante.” “Não sei qual é o objetivo desta conversa, mas acho que já bastou.” “ Seja o motivo dos sorrisos de alguém, e permita que este alguém seja o teu motivo.” E, então, o garoto partiu. Nunca ninguém a instigou assim. E que diferença fazia? Com ou sem aquela conversa, ela já sabia a quem o seu sorriso pertencia.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
A minha estrela mais brilhante
O que for, que seja o meu vício.
Mas um vício que não me vicie.
Que eu seja dependente do sorriso teu,
Mas que eu possa viver com tão somente o meu.
Que o teu boa noite venha para confortar as minhas noites de sono,
Mas que a tua ausência seja suficiente para me guiar em bons sonhos.
Que a tua noite se transforme no meu dia,
E que o teu silêncio que me suaviza faça do barulho aquilo que te tranquiliza.
Enquanto dormes, tranquilo,
Vou aos poucos tentando te encontrar.
E até lá, se eu não conseguir,
Creio que algum sinal venha para me encaminhar.
Calma, agora, prometo não desistir.
Tudo que me disseres vou ouvir!
A tua estrela lá no céu brilha, intensamente.
No fim, é juntos que vamos estar,
Assim se me esperar.
Mesmo que não dure para sempre, será eternamente!