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Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil
Let me out Don't tell me everything Start it out Like any other day Must have gave the wrong impression Don't you understand where I belong? Well I'm not the one (Carry me home - The Killers)

sábado, 14 de abril de 2012

No silêncio das palavras

E quantos ais ainda suspiro

Desde que parti?

E quantas vezes na cama me reviro

Pensando em ti?

 

Da menina esqueceu

E aos tristes suspiros se rendeu

Tão distante esse olhar

Que no espelho vê se apagar

 

Estaremos juntos daqui para frente

Quem sabe, num futuro intermitente.

Mas um dia espero teus olhos fechar

Para, num sussurro, uma boa noite te desejar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Moinhos de Sangue: Capítulo final reescrito

Esta postagem só entenderá quem leu o livro Moinhos de Sangue, de Ana Cristina Klein. A nova versão do final foi elaborada, numa proposta pelo professor de Português/ Literatura, por grupos. Segue, então, a nova versão da nova versão do final do livro! Hehehe.

 

A brisa de Xangri-lá era tão mais pacífica do que a de Porto Alegre. As crianças brincavam na piscina, enquanto a mãe, Maria Beatriz Tognazzi Aranha Gomes, apreciava o solzinho gostoso para garantir o bronzeado perfeito. Angelina parecia como a mãe, mas não sem a beleza gritante e a personalidade de Bia. Já o Pedro parecia-se com o pai, até nos trejeitos.

- Mamãe, mamãe! – as crianças não se aquietavam um segundo. Bia estava começando a se cansar desta rotina de mãe. Na verdade, só engravidara para poder gozar dos benefícios de Victor Ávila, seu dinheiro, mais precisamente. Precisava de férias das crianças. Férias com estilo, em New York!

- Papai chegou! Papai chegou!

Victor parecia estressado, mas as crianças pareciam lhe acalmar. Ao ver Bia, ele já abre um sorriso de orelha à orelha. Sempre fora apaixonado por Bia, desde que ficara viúvo. Mas ele não conhecia a verdadeira Bia. A mulher com quem ele estava casado era uma máscara de várias camadas. O triste era ele ser apaixonado por ela, e ela só sentir atração, não gostar de Victor.

- Como estavam os negócios em Porto, amor? – Bia não se interessava pelos assuntos da empresa do marido, nem por qualquer outra coisa, somente para o dinheiro e sua presença marcada nas colunas sociais. Obviamente, ela ainda estava no topo de tudo, e em todas as bocas, benditas e malditas.

- Já tivemos dias melhores. As coisas estão por um fio, mas tenho certeza de que podemos recuperar!

- Tudo se ajeita, meu querido, não te preocupes. Enfim, precisava notificar-te: vou ir à New York, tenho negócios a resolver para a empresa. Será que tem algum problema?

- Claro que não! Podes ficar tranquila! Mas, e quanto às crianças?

- Estive pensando sobre… Preciso que tome conta delas. Ou contrate uma daquelas coitadas que gostam de cuidar dos ranhentos.

- Darei um jeito. Pode ir, não te preocupe com os pequenos!

- Dará conta, mesmo? Cuidar da Angelina e do Pedro dá trabalho…

- Não te preocupes comigo também. Pode ir sem problema!

- Perfeito, então. Vou aprontar as malas.

Um marido cego pela paixão, que não consegue nem perceber suas mentiras. Pudera desejar perfeição maior? Maravilha. Suas férias em New York prometem! Novas bolsas, novos vestidos, tudo de grife, e ainda: tudo verdadeiro! Bia sentia falta de suas apostas com Soninha, sentia falta de ganhar presentes dela. Mas, se a Soninha fosse mais centrada e não se metesse no que não era chamada, ainda apostariam bobagens. Pena que ela obrigou-a a ameaçá-la com aquelas fotos comprometedoras, caso contrário até a convidaria para ir à New York…

Chegando a New York, a primeira coisa que fez foi visitar Peter. Mesmo sendo um tanto constrangedor, ele era ainda um ótimo amigo. Ajudou-a, com o seu refinado gosto, a escolher lindas bolsas e vestidos. Mas um desastre acontecera. Seu cartão de crédito estava bloqueado, teria que ver qual era o problema. E lá rumaram Bia e Peter à agência, rebaixavam-se à ralé que lá frequentava. Aqueles gerentes sempre se achavam mais do que eram. O problema do cartão é que Bia havia estourado o limite. Teria de ligar para Victor e contar o desaforo pelo qual passara. Mas Victor lhe dera a pior de todas as notícias: eles estavam sem dinheiro, a empresa falira e ela teria de voltar urgentemente.

Bia desesperou-se, não sabia mais o que fazer. Nunca passara por isso antes. A única solução que encontrara foi arranjar um amante, e usar o seu poder de manipulação para conseguir voltar ao topo novamente. Faria em New York, mesmo. Com o corpo bem cuidado, apesar da idade, e a beleza que nunca lhe abandonava seria fácil como tirar doce de crianças. E ainda mais prazeroso do que matar as suas vítimas. Com todos estes fatores a seu favor, sempre conseguia o melhor. Na verdade, ela já era o melhor, os outros apenas tinham sorte.

Tendo bom gosto em suas escolhas, acabara por conquistar um rico bilionário, alto, louro e de olhos castanho aveludados. Um corpo de atleta, parecia ter jeito pra coisa. Se não desse conta do sexo, daria conta de suas dívidas financeiras. Enfim, seria, de algum modo, útil para Bia. David, como se chamava, provocava estranhas sensações em Bia. Tesão, obviamente, era a sensação mais gritante. Mas olhar em seus olhos parecia ser algo proibido. Ele tinha o mistério como aspecto natural. Depois de uma noite enlouquecedora, Bia percebe que acertou na escolha! Bom em todos os aspectos, na verdade, ótimo! Deitados na cama, David joga-a para cima de sim, segurando seu pulso firmemente. Bia olhou em seus olhos e sentiu medo.

- Está tudo muito bom para ser verdade, acho melhor darmos uma pausa. – disse Bia, tensa.

David nada respondeu, apenas sorriu-lhe e o seu sorriso disse tudo. Foi assim que Bia arrependeu-se por ter deixado marido e filhos, por estar ali naquela cama de motel, tudo por um cartão sem limite, por uma empresa falida, por não estar no topo desta vez. Seu marido enfrentaria a viuvez de novo, e seus filhos ficariam órfãos. Passaria pelo que fez Denise, Marina e Ualdisnei passarem. Ali seria o seu fim.

domingo, 8 de abril de 2012

Tempo para desabafar

“Sinto saudade das nossas conversas. Das nossas confissões. Será que ainda tens as cartas que tanto te escrevi? Será que ainda as lê? Fico aqui te escrevendo, esperando que um dia leia todas as minhas súplicas de perdão. Sinto falta de sorrir pra ti, te fazer sorrir. Não posso voltar no tempo, mas sei que os meus erros são irreparáveis. Talvez me odeie por isso, eu me odeio. Mas, e o que fazer? Pedir-te desculpa, se não me ouves? Arrastar-me aos teus pés e esquecer o meu orgulho? Não sou capaz de tais proezas. Mas engoli muita coisa para chegar aqui e dizer-te tudo isso. Destruí o meu orgulho, destrocei-o para te defender a qualquer injustiça, mas talvez tu nunca venhas a saber. Juntar os meus pedaços foi difícil. Permanecer forte quando queria desmoronar é ainda mais. Mas tudo valia ao teu lado. Desculpe-me por qualquer inconveniência. Desculpe-me permanecer tentando. Lembro-me dos nossos bons momentos. Falta muito para voltar? Sim, e isso está claro. Não quero que isso pareça mais uma de minhas súplicas, mas sim um pedido de perdão, já que ignorastes todos os outros. Se, ao menos, não encarar como um, por favor, então não ignore. Na manhã seguinte, lembre-se de mim. Do jeito que quiseres. Mas se a lembrança for ruim, então se esqueça de mim para sempre. Mas, se não for assim, lembre-se de todas as vezes que te fiz sorrir. De todas as vezes que tu me fizeste sorrir. Foi de todo ruim? Mas enfim, não quero parecer inconveniente, mesmo já sendo. Apenas quero que fique claro: vou lembrar de ti, pois tu foi o meu motivo para acordar sorrindo. E mesmo que a nossa situação faça com que nos ignoremos, tu continuas sendo o meu motivo. Enfim, feliz Páscoa.”
E esta foi a declaração de uma menina apaixonada e arrependida, para depois encontrar o sujeito pra quem escrevera e sussurrar-lhe um mísero Bom dia.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Adormecer para te encontrar

"Everybody knows that I'm rightfully yours (...)
Love ain't gonna let you down - Jamie Cullum" 


Inquieta, ela balançava compulsivamente o pé. Todos os seus fantasmas tiraram o dia para lhe assombrar. Afinal, não podia ter sido pior. Um dia chuvoso, e as pessoas pareciam ficar mais grosseiras e insuportáveis nesta situação. Claro que a Valerie não seria exceção. Seu humor estava terrível, suas palavras afiadas. “Nem ao menos um ‘bom dia’ mereço?” “Bom dia, Daniel. Como tens passado?” “Meu dia melhora quando te vejo, e quando tu me dás atenção. Hahaha” “Palhaço. Agora, se me deres licença, preciso voltar ao trabalho.” Daniel fora um antigo namorado. O mais apaixonado que tivera. O que sofrera ao perder. Mas o passado ficara para trás, deveria seguir em frente. Havia quem dissesse que Valerie ignorava-o por ser fria, não ter sentimentos verdadeiros. Mas se soubessem da verdade… O dia demorava a passar, ela se ocupava pensando na vida. Mas não podia se permitir pensar demais. “Valerie, minha bela Valerie…” “Que susto tu me deste, Daniel! Estás maluco?” Daniel gargalhava melodicamente. “Não tens quem mais atormentar, querido?” “É uma prova de amor. Queres prova maior?” Daniel sempre foi debochado, talvez tenha sido este aspecto que tanto fascinou a Valerie. Havia muitas outras características de sua personalidade forte que a encantava. Valerie conseguia lidar com a sua presença normalmente. Era um sinal de que estava, aos poucos, enlouquecendo. “Morreria por ti, sabia?” “Não digas isso, Daniel.” Por entre beijos, ele suplicava: “prometa nunca me abandonar”. “Nem nos teus piores dias, nem nas tuas piores crises, nunca.” ela prometia. Eles sempre formaram um casal bonito. Antes de amantes, eram amigos. Confidentes. Daniel dera, no primeiro dia de primavera, uma notícia devastadora a Valerie: fora diagnosticado com câncer. Valerie paralisou, não sabia como reagir. Valerie esteve sempre ao lado de Daniel durante o tratamento. Vira seu rosto, aos poucos, empalidecer e seus cabelos começarem a cair. Já não conhecia mais aquele Daniel. Um rosto triste, enfraquecido. “Deves me amar menos, eu imagino.” “Imaginas besteira. Amo-te ainda mais.” “Se quiseres me deixar, faça, eu entendo.” “Cale esta tua boca, Daniel! Prometi estar aqui nos teus piores dias, lembra?” E assim discutiam cada dia, mas não se desentendiam. Valerie via-o desfalecer, desmoronar, e se culpava por nada poder fazer. A situação de Daniel piorava cada vez mais. “Sinto-me bem, apesar dos exames não concordarem comigo. Hahaha. Sinto-me bem por te ter ao meu lado e saiba que, mesmo que eu venha a morrer, eu te amo demais.” “Não diga mais nada. Não fale em morte. Tu vais superar essa dificuldade, vou te ajudar com isso!” Valerie replicava. “Sabe, há uma coisa de engraçada nesta história…” Daniel forçava um sorriso, mas seus lábios pálidos não colaboravam. “Diga-me, então”. “Sinto-me ainda mais apaixonado por ti. Me conquistas pelo o que tu tens feito. E agora vou morrer. Mas vou morrer de amor. Tu és minha Julieta.” “Descanse um pouco, agora. Temos ainda vários dias pela frente. Durma bem, meu Romeu.” E com um beijo, Valerie partiu. Na manhã seguinte, ela ficara sabendo que Daniel havia falecido. Valerie já não sabia mais como prosseguir, estava presa à terrível realidade. A realidade de que não tinha mais o Daniel. Estava sozinha. No entanto, não estava sozinha. Ele prometera encontrá-la em seus sonhos. Assim, toda noite Valerie o encontrava ao adormecer.

sábado, 31 de março de 2012

Meu último adeus

‘Queria ter alguém para conversar’. ‘Mas tu tens’. ‘Queria ter alguém que me ouvisse’. ‘Mas tu tens, e sabes disso’. E essa era a minha conversa. Não conseguia mais encontrar o meu lugar. Sei que errei, me arrependo, mas mesmo que quisesse não tenho como mudar. Algumas coisas não tem explicação. É assim. Se ao menos se dessem ao trabalho de me entender… “Pode falar, não te preocupes.” Mas no momento em que abro a boca, que começo a contar, sinto aquele olhar de reprovação, e uma voz de repúdio me interromper, dizendo: “Pode parar por aí. Temo que precises de alguém mais especializado para te ouvir.” E assim, me viravam as costas, julgando-me pelo olhar. Não havia ninguém que me compreendesse, que pudesse ver pela minha visão. Os dias amanheciam frios e assim se acabavam, pelo menos pra mim. A culpa me corroía por dentro, mas não podia permitir que isso se mostrasse. Sempre fui forte, não podia desmoronar, não agora. Se o fizesse, tudo pelo que lutei para desperceberem viria à tona. Simplesmente não podia. À noite, não conseguia dormir. Pesadelos me atordoavam. “Tem certeza de que prefere continuar vivendo assim? Depois de tudo que fizeste? Depois de até mesmo me matar?” Impossível continuar dormindo depois disso. Sabia tudo que eu, um dia, fizera. Eu sabia, ele sabia, e continuava me atormentando assim. Preferia voltar no tempo, não ter feito tudo aquilo. Mas se eu não fizesse, quem o faria? As pessoas na rua me olhavam com nojo, mas o que me fascinava era essa mania do ser humano de julgar sem antes ver as versões mais plausíveis da história, até chegar à verdadeira. Todos desconheciam o sofrimento pelo o qual eu passava, só percebiam a minha culpa. E ainda, tão somente aqueles que realmente me conheciam desconfiavam desta maldita culpa. Para os outros, eu era apenas uma assassina. Uma das mais espertas, sem deixar um rastro do meu crime perfeito. Foi em um dos meus devaneios que pus fim em toda essa história. Fui até o lago onde costumávamos sempre ir, sentei-me à beirada e comecei a lembrar. Pedro estava sentado ao meu lado, fitando-me com seus lindos olhos verde, sorrindo. De repente, sua fisionomia gelou, e até o timbre da sua voz mudou. Ficou balançando nas pontas dos pés, próximo ao lago. “Afaste-se daí!” Eu lhe dizia. “Por que deveria?” “Porque podes cair. Até matar-se.” “A vida acabaria com estilo. Estaria aqui contigo. Não podia desejar fim melhor.” “Não digas isso! Nunca!” aproximei-me dele e tomei uma de suas mãos. Mas, como que num segundo, tudo aconteceu tão depressa. Pedro perdeu o equilíbrio, e eu tive que segurá-lo com todas as minhas forças. “Solte-me” ele pedia. Quanto mais ele insistia, mais eu relutava em afrouxar o aperto. Mas Pedro era muito mais forte do que eu, e assim ele se atirou no lago. “Pedro! Tu não sabes nadar! Volte!” eu implorava. Ele nem parecia me dar atenção. E com um sorriso nos lábios, Pedro afundara no lago. A Lua nascia no horizonte quando me dei por conta. Levantei-me e parti. Mas não fui direto para casa. Tinha uma parada, antes. E então, só depois poderia ir para casa. Para a minha verdadeira casa. Cheguei à beira de um penhasco, o qual eu sempre visitava depois da morte de Pedro. “Espere-me, Pedro. Logo estarei chegando em casa. Na verdadeira casa. Nossa casa. Ao teu lado.” E com um último suspiro, atirei-me ao encontro do meu único amor.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Um novo amanhecer, um novo dia, uma nova vida

O dia amanheceu perfeito para ele. O ar gélido arrepiava os pelos do seu corpo, e o calor do Sol o englobava num abraço. Olhou de relance para a cama em que dormira e lá estava ela, como o mais belo anjo, descansando tranquilamente. Arrumou-se e partiu, não devia levar isso adiante. Ao sair, lançou um último olhar para a mulher que talvez mudasse tudo. As horas seguintes voaram, um único pensamento, uma única visão, uma única lembrança: ela. Há quem diga que ele, Thomas, é um mulherengo, que conquista todas as mulheres que cruzam o seu caminho, para no dia seguinte sumir logo cedo e nunca mais dar notícia. Da segunda parte ele não discordava, agia assim. No entanto, ninguém o entendia. Ele já foi feliz ao lado de alguém, já amou, mas sofreu demais. Ela o magoou, e, então, nunca mais se ouviu falar dela. A solução que Thomas encontrou foi se esconder, criar um novo alguém, não se permitir sofrer. Porém o caminho para isso foi não se apegar. As mulheres que acabava conquistando se entregavam à paixão, assim ele só aproveitava. Mas foi naquela semana que as coisas começaram a mudar. Esta mulher tem um quê de mistério, veneno no sorriso, malícia nos olhos e movimentos espetaculares. Ele não sabia ao certo o que lhe chamou a atenção. Talvez tenha sido esta mulher como um todo, um desafio. O problema seria em se aproximar. Tem medo de quê, Thomas? Exato, não tens medo de nada. Nem medo, nem problema. O sorriso, o cheiro, as curvas desta mulher eram indescritíveis. No primeiro dia tudo ocorreu bem, ele a fez rir, agradou-a. Pode ver o brilho em seus olhos. Conheceram-se melhor. Helena tinha uma personalidade forte. Determinada e querida por todos. Não há alma que contrarie esta mulher. E no fundo ele já sabia no que isso ia dar. Passaram-se dias, e em todos, os dois se encontraram. Línguas venenosas já diziam “pobre mulher” quando Helena passava. Mas, graciosamente, ela jogava seus cabelos castanhos por sobre o ombro, lançava um olhar indiferente e voltava a sorrir, atraindo a atenção de todos. Ele estava gostando desta mulher. Ela não era como as que ele já havia conquistado antes. Ela faz a conquista longa e difícil, faz valer a pena. Até que um dia acordou ao lado da mulher que despertava um novo Thomas. Ele levantou, incrédulo, arrumou-se e partiu. Mas no fim do dia foi para lá que voltou, para o lado da mulher que o conquistou e que o ajudou a amar novamente. Aquele dia amanheceu para tudo ser diferente.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Meu final para minha história

Sentia saudade. Saudade das conversas, das risadas. Sentia saudade dele. Olha para os lados, para frente. O que fazer? Já em casa, ocupava-se com outras preocupações. Sem dúvida, respostas para perguntas como “o que fazer para janta?” ou “será que falta sal?” eram bem mais simples do que para os questionamentos que ultimamente tem feito. Questionamentos que tomavam suas noites de sono, responsáveis pelo seu mau humor matinal. Tem se afastado, criado barreiras impenetráveis. Mas ninguém pareceu perceber. Assim, ela vai partindo, aos poucos. Seria mais difícil despedir-se dele. Há tantas lembranças boas, sensações melhores ainda. Ele sempre foi seu bom amigo, um ouvinte para qualquer hora. Mas agora perdera tudo. Por uma tolice. E não havia nada que pudesse fazer para reverter a situação. Teria de arcar com as consequências. Se tentasse algo, estragaria ainda mais. A solução era dar um passo, mas um passo em direção contrária, para que seus caminhos não se encontrassem. Se dissesse que não se sentia culpada, estaria mentindo. Ela controla a vontade que tem de gritar, de se arrastar. Mas quase se descontrola. E, no entanto, não era isso com que mais se preocupava. Havia algo novo surgindo. Algo que sentia no âmago de sua alma. Tem sorrido um pouco mais, ultimamente. Tem se animado com palavras. Um desejo que a consome neste vazio. Um novo personagem nesta história. Aquele que a faz sentir desejada. O sorriso dele não sai dos seus lábios, o brilho permanece em seus olhos. Seu pensamento, então, voa de encontro ao dele. Nas vinte e quatro horas do dia, nos sete dias da semana. Entretanto, havia um receio: não queria se apegar demais, afinal, ainda era algo tão superficial. Mas ele não lhe dava escolhas. Acabou se entregando. O resultado fora melhor do que esperava. O sentimento realmente era recíproco. Às vezes se perguntava qual seria o final desta história se não tomasse esse rumo. Não encontrava respostas. Mas, com um beijo doce, ela descobria. Qualquer que fosse o final, não seria melhor do que este.

domingo, 11 de março de 2012

Canção perfeita de ninar

“Those were the times,
and these were the places.
Your love was so good.”
( Your love – Keane)
Assim que o sol surgia, ele despertava. O que mais poderia esperar? Nada além de um bom dia. Sorria ao lembrar-se dela. Lembrava-se dela ao sorrir. Seria tão difícil assim seguir em frente? Mesmo incompleto, devia tentar. Se a saudade o atormentava, ela aparecia para lhe acalmar. Só de olhar para ela, sentir sua pele macia… Perdido em devaneios, desperta para sua realidade. O ar gélido bate em seu corpo exposto. Mais um dia se passara. Outro se aproximava. Já superara a fase de se culpar pelo que aconteceu. Nessa época, passava seus dias de sol adormecido, protegido pela escuridão do seu quarto. Despertava tão somente quando o sol se punha. Mas, agora recuperado, aproveitava cada segundo de sol, mantinha-se ocupado, para não pensar demais. Sozinho, em sua casa, ouvia atentamente cada ruído produzido pelo silêncio. Não costumava receber visitas, não depois do incidente. Acostumara-se a viver sozinho, atormentado pela solidão. A única companhia que se permitia era a das belas flores espalhadas pela casa, e do belo jardim, que sua amada dedicava-se tanto a manter. Agora, a responsabilidade de cuidar do jardim passou para ele. Sentia prazer em fazê-lo, pois se lembrava a todo instante dela conversando com as flores. “Essa é a minha favorita, chama-se Lírio. Veja, veja, não é bela?” ela dizia, animada. “Não tão mais bela do que a dona que cuida dela”, disse ele aproximando-se dela, “Mas devo admitir que é linda”. Ela retribuiu o elogio com um lindo sorriso, valorizando ainda mais a sua beleza. Mas eram lembranças, apenas lembranças. O sol, aos poucos, desaparecia, dando lugar a um belo crepúsculo. Já não havia mais nada para fazer, pensou em se recolher. Mas, antes que o fizesse, ouvira um ruído intrigante. Ouvira uma gargalhada, leve e suave. Era ela. Ele, quase desesperado, seguia o som por entre as árvores. Procurava-a, mas não a encontrava. Sem conseguir evitar, chega ao topo de um penhasco. Do mesmo penhasco que por vezes eles haviam se encontrado. Do mesmo penhasco que levou sua amada pra longe. “Afaste-se da beirada, por favor”. Num sobressalto, ele vai de encontro a ela. “Não faça nenhuma tolice”, dizia ela. Ele, sem saber o que dizer, apenas aproximou-se da beirada. “Já não tenho mais motivos para continuar vivendo.” “Não irá resolver nada, você sabe disso.” “Não há o que me convença disso.” Ela, aproximando-se dele, estende-lhe a mão. “Então faremos isso juntos.” “Não, você já passou por isso uma vez. Não vou fazer dessa a segunda.” Ainda assim, ela insistiu: “Por favor. Estamos juntos. E se permitir, ficaremos para sempre. Só assim descansarei.” Ele, então, toma a mão de sua amada. “Para todo o sempre, para sempre juntos. Simples assim.” E então, de mãos dadas, pulam do penhasco, para viver mais a eternidade juntos.

sábado, 10 de março de 2012

Desejo


A Lua se encontrava em seu ponto mais alto, no céu. Olhar pra ela lhe fazia refletir. Estaria pensando demais, e agindo de menos? Ou seria ao contrário? Precisava de respostas, mas estas teriam de ser encontradas por ele próprio. Já era tarde, um minuto a mais e se atrasaria. Pegou o seu casaco e saiu, sem ao menos olhar pra trás. Enquanto isso, as mesmas perguntas a intrigava. Ela buscava, assim como ele, respostas. Não as encontraria parada ali, apreciando a beleza da Lua. “Quem a colocou lá em cima, distante de tudo e de todos, agiu com muito egoísmo.”, pensou ela. Olhando por uma última vez a Lua, Helena adormece, aconchegada em sua cama. Um sono agitado, um sonho confuso. Via, em sua mente, uma face, um homem. Tinha olhos verdes, cabelo castanho e uma boca fina que se curvava num sorriso sedutor. Conhecia-o. Só não se lembrava de onde. Suas palavras saíam num tom suave e melódico. Mas, ela não conseguia entender nada. Sua visão ficava embaçada, turva, até que não enxergava mais nada. De repente, o sol invadia o seu quarto. “Bom dia”, dizia ele abrindo a cortina do quarto. O olhar, o sorriso, a voz… Lembrava-a do sonho que tivera. Mas, ao olhar para ele, para seus olhos verdes e seu sorriso sedutor, aos poucos percebia: eram memórias, apenas memórias. E agora, ali estavam, juntos. Deixaram de pensar e passaram a agir. Eram memórias de quando tudo começou.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Para seguir em frente

Entre suspiros, suas mãos contornavam sua face. Sua cabeça parecia explodir a cada ruído distante. Não conseguia se concentrar, não conseguia parar de pensar. O que fizera teria sido ruim assim? Teria ele magoado ela, e ela o magoado mais ainda? De fato, alguma coisa além havia, a situação estava instável demais. E, no entanto, agia com indiferença. Nenhuma resposta cairia do céu. A vida não é um conto de fadas no qual existem as princesas que têm final feliz. Não podia esperar um sorriso, se não tentasse ao menos sorrir. E como fazer? Não era apenas curvar os lábios. Um sorriso verdadeiro, era o que queria. E, primeiramente, teria de deixar o passado para trás. O que passou, passou, e nada trará de volta. Aqueles dias ensolarados, por mais que se queira, não voltarão mais. A solução, então, é seguir em frente, sem se prender aos pedaços que ficaram pra trás. Sorrir para cada dia que amanhece, e prometer ser a cada por-do-sol uma nova pessoa na manhã seguinte. Ouvira em sua mente, enquanto, aos poucos, levantava: "seja cativante, seja divertida, seja sedutora. Olhe com um ar misterioso, sorria com vontade. Seja o que for, mas seja alguma coisa. Mas não seja nada além do que tu mesma. Siga em frente olhando sempre pra frente. Não pense em voltar atrás". Levantando-se, lentamente, se olha no espelho e sorri: um novo amanhecer, um novo dia, uma nova vida. É o que terá como objetivo. E sempre lembrando: deixar o que ficou pra trás. Não se prender a pedaços que caíram no meio do caminho. Um mundo gira, e ela não poderia ficar parada.